Revisão bibliográfica sobre cálculos renais

Revisão bibliográfica sobre cálculos renais
ENFERMAGEM
Os cálculos são acúmulos minerais que se formam no trato urinário, formando pedras que podem chegar a tamanhos perigosos e até causar o infarto do tecido renal, podendo se complicar a ponto de ser necessária a remoção do mesmo. Os cálculos casam intensa dor e devem, na maioria dos casos, ser removidos, podem ser consequência ou causa de infecções e não devem ser negligenciados.

Metodologia

A pesquisa foi feita no Medline em artigos produzidos entre 1999 e 2003 relacionados à avaliação e tratamento de cálculos renais. As palavras-chave utilizadas foram: cálculos renais, cálculos do trato urinário, urolitíase, nefrolitíase e cálculos urinários. (pesquisados em inglês)

Fisiopatologia

Os cálculos são formados quando há liberação excessiva de metabólitos urinários, como oxalato de cálcio e quando as características da urina formada são anormais como: acidez, basicidade e\ou concentração. 

Tipo de cálculo Frequência(%)

Oxalato de cálcio

75

Magnésio, amônia e\ou fosfatos triplos

12

Ácido úrico

6

Cistina

1

Outros

6

Tabela-1

Cálculos contendo cálcio são muito mais frequentes do que outros tipos de cálculo, formados na metade das vezes quando há hipercalciúria e aparecem como consequência de hipercalcemia apenas 10% das vezes. A cristalização acontece quando há saturação de um soluto na urina. Evidencias recentes mostram que a formação de cálculos pode ser resultado de infecção por nanobactérias familiares à Helicobacter pylori, bactérias intracelulares que formam cápsulas de fosfato de cálcio e são encontradas no centro da maioria (97%) dos cálculos renais e em placas minerais (de Randall) nos glomérulos renais, porém o crescimento desses cálculos dependem de fatores endógenos e dietários. Pacientes que já tiveram um cálculo tem grandes chances de ter outro entre dois a sete anos após o tratamento.

O fator principal na formação de um cálculo não está completamente elucidado, porém na maioria das vezes o fator chave da formação dos cálculos é o baixo pH da urina formada, portanto a maioria dos cálculos é de caráter ácido.

Epidemiologia

Há predomínio de pacientes do sexo feminino sobre o masculino com litíase renal. Os doentes brancos constituem a maioria, seguidos pelos mulatos e, em uma muito pequena proporção, pelos negros. Não há indício diferença quanto à lateralidade dos cálculos, mas os homens geralmente têm mais cálculos bilaterais do que as mulheres. Pode haver alguma relação entre a cor da pele e a formação de cálculos. O histórico familiar de casos de cálculos aumenta em três vezes o risco de cálculo, casos de diabetes, hipertensão arterial, hipertireoidismo, casos de gota, acidose metabólica são exemplos de fatores que contribuem para a formação de cálculos.

Sinais e sintomas

No trato urinário: dor(se manifesta na forma de cólica renal, dor na virilha, e dor nos rins), hematúria(90% dos casos de cálculo) macro ou microscópica, disuria e inchaço renal.

Sintomas sistêmicos: náuseas e vômitos, febre, calafrios, paciente inquieto, às vezes contorcendo-se de dor. Apenas um terço dos casos se torna sintomático.

Diagnóstico

Os exames de cálculos renais incluem: Análise da pedra para classificação do cálculo, Nível de ácido úrico, urinálise para detectar cristais e glóbulos vermelhos na urina, os cálculos ou bloqueios do ureter podem ser vistos em: Tomografia computadorizada abdominal, Ressonância magnética abdominal ou dos rins, Radiografia abdominal, Pielograma intravenoso (PIV), Ultrassom do rim, Pielograma retrógrado. Os exames podem revelar níveis altos de cálcio, oxalato ou ácido úrico na urina ou no sangue.

Tratamento

Tratada a cólica renal, o passo seguinte deve ser remover o cálculo. Se ele é detectado antes da cólica, deve ser removido preventivamente. Um recurso simples, para auxiliar na prevenção da formação de cálculos e na eliminação deles é o aumento da ingestão de água. Isso, contudo, não deve ser feito durante as cólicas porque aumentaria a produção de urina, que encontraria obstruídas as vias urinárias. Anos atrás, os cálculos renais que não eram eliminados espontaneamente só podiam ser retirados por meio de cirurgia; atualmente, busca-se quebrá-los em partículas menores, capazes de serem carregadas pela urina. Para fazer isso, usam-se diferentes formas de energia (eletricidade, ultrassom, raio laser e impactos mecânicos). A litotripsia extracorpórea, por exemplo, usa ondas de choque que atravessam o corpo do paciente e procuram atingir o cálculo, para fragmentá-lo. As pedras nos rins também podem ser retiradas através de endoscópios, finos tubos que possuem iluminação na extremidade e que são introduzidos na árvore urinária a partir da uretra. Outra técnica de tratamento é por meio da nefrolitotomia percutânea. Por ela, um tubo rígido é colocado no rim através da pele e por ele são retiradas as "pedras". Outro método, ainda, que pode ser utilizado é a laparoscopia, um procedimento cirúrgico minimamente invasivo realizado sob efeito de anestesia.

Conclusão

Os cálculos renais são perigosos e oferecem riscos à saúde renal e à vida do paciente, o conhecimento a respeito dos mesmos é necessário para melhor diagnóstico e tratamento para evitar danos sérios aos pacientes. Muito pode ser feito para evitar a formação de cálculos, portanto também é necessária orientação à pacientes com resultados de urinálise que são prévios à um calculo como hipercalciúria, evitar um cálculo é sempre melhor que tratar um já formado.

Referências

ABC.MED.BR, 2013. Cálculo renal: definição, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e evolução. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/363944/calculo-renal-definicao-causas-sintomas-diagnostico-tratamento-e-evolucao.htm>. Acesso em: 12 abr. 2014.

SILVA,Silvia Fernandes Ribeiro da; SILVA, Sônia Leite da; CAMPOS, Henry de Holanda; Daher, Elizabeth De Francesco; SILVA Carlos Antônio Bruno da. Dados demográficos, clínicos e laboratoriais de pacientes com litíase urinária em Fortaleza, Ceará Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.phpscript=sci_arttext&pid=S0101-28002011000300004> acesso em: 23 abr 2014

PETROIANU A; OLIVEIRA NETO JE & ALBERTI LR. Dados epidemiológicos da litíase renal, em hospital de referência, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Medicina, Ribeirão Preto, jan./mar. 2001. Disponível em: <http://revista.fmrp.usp.br/2001/vol34n1/dados_epidemiologicos.pdf> acesso em: 23 abr. 2014

PARMAR, Malvinder S, 2004. Kidney stones Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC421787/> acesso 12 abr. 2014 tradução: Sillas Lucena

The University of Utah Eccles Health Sciences Library, 2013. Kidney stonesDisponivel em:<http://library.med.utah.edu/WebPath/RENAHTML/RENAL123.html> acesso 12 abr. 2014 tradução: Sillas Lucena

CIFTCIOGLU, N; BJORKLUND M; KUORIKOSKI K; BERGSTROM K; KAJANDER EO. Nanobacteria: An infectious cause for kidney stone formation. Kidney Int 1999;56: 1893-8.Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10571799> Acesso em: 23 abr. 2014 Tradução: Sillas Lucena

CURHAN, GC; WILLET, WC; RIMM, EB; STAMPFER, MJ. Family history and risk of kidney stones. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9335385> Acesso em: 23 abr. 2014 Tradução: Sillas Lucena

SAKHAEE, K; ADAMS-HUET, B; MOE, OW; PAK, CY. Pathophysiologic basis for normouricosuric uric acid nephrolithiasis. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12164880 >Acesso em: 23 abr. 2014 Tradução: Sillas Lucena
Sillas Menezes Lima de Lucena
Sou estudante de enfermagem na UEPA(Universidade Estadual do Pará), estou começando a escrever meus primeiros trabalhos científicos agora mas tenho muito o que acrescentar, quero informar outros estudantes da área da saúde e auxiliar qualquer um que, como eu, busca conhecimento.
Seja um colunista
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER